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  • Vinicius Camargo

Ligando os pontos

Atualizado: 12 de nov. de 2021


Hoje, no Brasil, existem cerca de 11 milhões e 400 mil hectares de terras sob a ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta). Esta área corresponde a 8 milhões de campos de futebol. Todas estas propriedades possuem um ativo econômico, social e ambiental mas que pode estar sendo visto como um problema por seus proprietários.



Contexto histórico


Na expansão da pecuária, nos anos 70, não havia a preocupação que se tem hoje com a qualidade dos pastos e, muito menos, com o meio ambiente. Isso promoveu um ciclo vicioso de baixa eficiência produtiva, cujo potencial financeiro era diretamente atrelado à obtenção de novas áreas.



Economia verde


Atualmente, o contexto é completamente diferente e a pressão é oposta. A economia vê mais valor em ganhos de produtividade, tanto na agricultura quanto na pecuária.


Tivemos enormes ganhos de produtividade agrícola no Brasil, devidos em grande medida ao maravilhoso trabalho de pesquisa da EMBRAPA.


Já a pecuária Brasileira, vem cada vez mais agregando valor devido ao seu manejo, gestão, qualidade das raças e cuidados com os animais.


A rotação de culturas de grãos mostrou-se eficiente na recuperação de pastagens, melhorando a composição do solo e seus nutrientes e, ainda por cima, trazendo ganhos econômicos e de imagem. A Integração Lavoura-Pecuária ganha cada vez mais adeptos e, inclusive, tem chamado a atenção de investidores do mercado financeiro.



ESG


Tanto na agricultura quanto na pecuária, quanto mais verde melhor. A sustentabilidade foi ganhando cada vez mais importância e passou a ser exigida pelo consumidor, que está disposto a pagar mais por produtos verdes que respeitem os pilares da ESG: economia, meio ambiente e social.



Mas e a floresta?


Sem dúvida, a preservação das florestas nativas (não estamos falando aqui das florestas plantadas) é o maior desafio do Brasil na área ambiental e o nosso calcanhar de Aquiles nas discussões internacionais.


A boa notícia é que ela se integra perfeitamente neste novo cenário de economia verde coexistindo em harmonia com as pastagens e a agricultura.


O Brasil é o único país do mundo que possui áreas de floresta nativa dentro de propriedades particulares. A exigência do percentual preservado varia de acordo com o bioma onde a propriedade se localiza, de 20% (no geral) a 80% para propriedades que ficam dentro da Amazônia Legal.


Com o Sistema de Manejo Florestal de Baixo Impacto em Pequenas Propriedades a madeira destas áreas pode ser explorada, para o uso familiar, de forma sustentável, com regras e limitações.



Novo contexto


Dentro deste contexto atual de bonds (ou títulos de crédito), economia de baixo carbono, marketing verde e carbonomoedas, a pressão é cada vez maior pela preservação do meio ambiente e pela redução de emissão dos GEEs (Gases do Efeito Estufa).


Em virtude disso, os proprietários rurais precisaram adaptar sua forma de pensar. Estes milhões e milhões de copas de árvores nas propriedades rurais não podem mais ser vistos como um problema ou um ônus, mas como um ativo econômico, social e ambiental, que pode e deve ser explorado, com responsabilidade e segundo os pilares da ESG.



Explorar é preciso


A palavra exploração é ingrata. Mas a viabilidade ambiental e social para garantir a manutenção e a preservação deste gigantesco ativo florestal passa, necessariamente pela viabilidade econômica.


A economia do século 21, em todo o mundo, ainda precisa de madeira, mas é indispensável que ela seja obtida de forma responsável porque as pessoas já estão pensando verde, ainda que alguns não se deem conta.


Consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos ambientalmente corretos e investidores preferem aportar suas finanças em projetos com selos ambientais e procedência comprovada. É fundamental que empresários pensem da mesma forma ao criar oportunidades e buscar acesso a mercados. Tecnologias e equipamentos que vão ao encontro deste novo contexto global, seja por sua eficiência energética, seja pelo impacto da sua utilização ou pela segurança dos seus operadores, são mais bem vistos pela sociedade em geral e tem um maior impacto positivo no mundo. É esse tipo de tecnologia que precisamos difundir se desejamos contribuir com estas transformações positivas que estão ocorrendo na sociedade e na economia.



Vinicius Cruz Camargo

CEO, Hawk Digital Marketing



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